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Tuesday, 24 May 2011

O Choro do Chorão


Um pequeno rio em que nadavam juntas duas pequenas rãs verdes. Se pudessemos dizer que animais têm emoções, era claro que aquelas rãs estavam felizes e sem preocupações. No entanto, um chorão enorme tinha os seus ramos caídos parecendo verter um rio de lágrimas, do qual as duas rãs se aproveitavam inocentemente.
Ao lado daquele rio estava eu, deitada na relva com a cabeça caída a chorar na sombra do chorão.
Ouvi as rãs a coaxar e olhei para o rio. Já não estavam juntas. Tinham-se separado e uma delas estava no lado oposto, procurando afastar-se do seu ex-amigo. A água do rio tinha subido, quase como se o chorão tivesse recomeçado a chorar. Voltei a deitar a cabeça, com os olhos em lágrimas, não apenas por mim, mas também por aquelas rãs que se tinham separado.
Virei-me de barriga para o ar e olhei para o céu, anteriormente nublado, agora escuro, a ameaçar uma violenta tempestade tropical.
O rio ao meu lado espelhava os ramos do chorão. Reparei que a árvore tinha imensas rugas vincadas no seu tronco e apercebi-me que já devia ter assistido a muitos casais a cortar relações. Aquele rompimento entre as rãs, era apenas mais um casal a terminar o namoro.
Uma brisa morna acariciou a minha pele e atirou o meu cabelo para trás dos ombros. Era verão e eu estava de férias. Devia estar feliz. Mas não.
Subitamente começou a trovejar. Senti-me esmagada pela chuva, derretida pelo calor, e pela humidade, e espantada com a minha tristeza.

Saturday, 30 April 2011

Um refúgio

Numa poltrona branca virada para uma janela aberta, sinto uma brisa morna a acariciar-me a pele, enquanto o cheiro a protector solar inunda o meu olfacto.
Vejo o mar a estender-se para lá dos horizontes do meu olhar, e à medida que o calor me amolece e me habituo ao ritmado estalar das ondas, apercebo-me finalmente do quão pequenos os meus problemas são face à imensidão do oceano e ao número de minúsculos grãos de areia concentrados à minha frente.

Tuesday, 15 February 2011

Ingenuidade

As crianças acenaram da janela. Felizes. Felicidade que naquela idade não é difícil alcançar. No início algumas sentaram-se, isoladas, não interagindo com os colegas, nem connosco. Minutos depois já andavam aos pulos à nossa volta. Ingenuidade. Pureza. Acima de tudo, alegria. O que eu não dava para voltar a ter a idade deles e esquecer-me das preocupações que a idade nos traz, mas isso não é possível e, se calhar, é uma mais-valia. No momento de partida, houve crianças que não se quiseram despedir. Agarraram-se a nós, prendendo as nossas pernas. Começaram a fazer as típicas birras de criança: houve crianças que choraram e houve crianças que gritaram. Saímos da sala. Olhámos para dentro momentos depois – as coisas tinham voltado ao normal. Agiam como se nunca lá tivessemos estado. As birras tinham cessado. O choro tinha parado. A única marca de que lá tínhamos estado era a desarrumação.
A felicidade, após uma breve ausência, já se tinha instalado de novo. A memória da nossa visita quase apagada.
9/12/10